Quando me enviaram um link para ouvir a música “Me Espera”, de Sandy Leah, Lucas Lima e Tiago Iorc, chorei tanto que fiquei com raiva (risos). Eu respondi pelo Whats App a quem me enviou: “se essa música é para mim, estou bem aqui, não fui a lugar algum”, numa tentativa de me defender da solidão e da dificuldade das pessoas, mesmo das que me amam, em lidar com a minha depressão.
A verdade é que quem me enviou a música sabia perfeitamente o que ela ia representar para mim. Foi a primeira vez que ouvi. E ouvi repetidas vezes enquanto as lágrimas rolavam sem parar. Claro que acabou virando um dia bem “down”, mas valeu a pena.
“Tenta me reconhecer no temporal, me espera”. A solidão da depressão é terrível. Não consigo lidar com as pessoas e as pessoas não conseguem lidar comigo e esse ciclo só piora tudo. A vida social afundou e de repente me vi sem família e sem amigos. Todos se foram...
Mas “ainda estou aqui, perdido em mil versões, irreais de mim. Estou aqui por trás de todo o caos em que a vida se fez”. Como é difícil sair desse redemoinho. Da angústia que assola e que engole a minha alma. Que faz tudo perder a graça e a cor. Que faz tudo ficar sem sentido e nem mesmo a beleza me comove mais. Apenas quero ficar livre dessa falta de ar que me sufoca, do coração acelerado, do olhar perdido, das conversas que não parecem fazer mais sentido.
Como eu quero me encontrar, mas não consigo. As drogas legalizadas me anestesiam um pouco e eu aproveito: só quero fechar os olhos e dormir. Como estou cansada. Me esforço e vou trabalhar. Vou ao supermercado, à igreja, ao médico, cuido de filho, com todo amor para que não perceba nada. No meio da angústia, sempre um sorriso no rosto, a voz firme, os deveres e afazeres cumpridos.
Mas todo o resto está em pedaços. A confiança nas pessoas ficou abalada e já não me reconheço nesse temporal, nem as pessoas me reconhecem mais. Também, de toda forma, eu mudei e nunca mais serei a mesma. A pessoa que eu era antes me fazia mal e me deixou adoecer. Não digo mais sim para tudo. Não vou aonde não quero. Me coloco em primeiro lugar, sempre que posso. Não acredito mais que as pessoas mudem, quer dizer, genericamente a mudança é um processo bem doloroso, intenso e que pode nunca acontecer.
Esperar pela mudança nos outros é um erro. Mais fácil é esperar pela mudança em mim. Porque eu, sim, sou capaz de fazê-la acontecer. Eu, sim, sou capaz de aceitar ou não as pessoas como elas são. Eu, sim, sou capaz de viver e, quem sabe até... amar de novo. Me espera.
Inspirado na metamorfose e na quase extinção das borboletas azuis, este é um blog sobre a vida, suas inquietações, transformações, depressão, num misto de crônicas, artigos e informativos.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Me espera
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segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Amor x Depressão
Depressão é, dentre muitas coisas, não ter vontade de viver. Se você tem algo porque lutar, se agarra com todas as forças. Eu tenho uma pessoa que depende de mim e que sei que sentiria muito a minha falta caso eu me fosse. Alguém que eu amo tanto que não quero que sinta a dor do luto. E é por essa pessoa que eu faço todas as recomendações para sair desse buraco sem fim: orar, meditar, trabalhar, passear, viajar, ter hobbies, gastar uma fortuna em terapia, médico e medicamentos. Tudo para levar uma vida quase normal.
É... “por você eu largo tudo: carreira, dinheiro, canudo”. Amor incondicional. Às vezes, me sinto cansada de lutar. Mas continuo por causa daquele sorriso, daquele abraço, “do amigas para sempre”. Minha imunidade cai, e de seis passo para 10 comprimidos ao dia tratando várias doenças secundárias, chamadas de psicossomáticas. Os psicólogos dizem que é outra forma que o nosso corpo encontra de chorar que não pelos olhos. Estranho isso. Parece que o corpo fala.
Voltei às aulas de dança. Mas como minhas pernas pesam para eu chegar até a academia! Quando consigo chegar, o peso se vai e danço leve como se estivesse a voar. É uma das minhas poucas paixões nessa vida.
Também encontrei um novo amor, amor de homem e mulher. Mas, como todo amor, é complicado... E também cansa. O amor cuida, mas cobra. Você sempre tem uma conta a pagar. Nada é gratuito nesta vida. Tudo tem preço de sangue e suor. E você nunca sabe que surpresa terá pela frente, se boa ou ruim. E quem está deprimido, claro, tem pavor de decepção.
É preciso fazer novos planos. Mas quando estou quase lá, no topo da escada, parece que ela é rolante e vai descendo até que retorno à base. Que sufoco!
No consultório de psiquiatria, parece que somos ratos de laboratório, sendo testados por uma ciência tão nova quanto imprecisa. O remédio não necessariamente te cura, mas ajuda, e muito. Só que, no início do tratamento, também parece que te mata aos poucos, tirando a sua liberdade de viver plenamente.
É claro que uma pessoa diabética tem que tomar insulina para o resto da vida. Mas o remédio psiquiátrico parece bem mais limitante. Porque trata da sua alma, da sua mente. É como se você não fosse mais dono de si e precisasse de uma droga para te carregar. Eu já odiei isso. Hoje aceito e entendo que posso me me superar a cada dia, mesmo que nem todos os dias sejam bons. Cada passo dado é uma conquista.
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