segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

O Suicídio do Pequeno Príncipe

(Alerta de Spoiler)

Muito se fala sobre o consagrado livro “O Pequeno Príncipe”. Pessoas, postam, com frequência, frases poéticas do livro em suas redes sociais. Mas o que eu não compreendo é por que não se vê quase nada na mídia sobre a complexidade desse livro e como ele trata de forma tão bela e romântica a depressão e o suicídio.

Sim, o Pequeno Príncipe se suicida. Percebo que muitas pessoas parecem nunca ter lido o livro todo e enfeitam até mesmo o quarto de seus lindos bebês com ilustrações e frases do Pequeno Príncipe. Afinal tudo parece tão poético e infantil.



É claro que o livro pode ser lido para crianças de uma forma lúdica, mas elas não compreenderão todas as sutilezas descritas no livro bem como de personagens como a “raposa”, a “serpente” e o “aviador”, com o final “retorno” do Pequeno Príncipe ao seu Planeta.

Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro, era um aviador experiente que morreu numa missão da força aérea francesa, em 1944, pouco tempo depois de o livro ser publicado em 1943. Até hoje sua morte permanece um mistério. Teria ele sido abatido por inimigos ou se suicidado?

O suicídio, consciente ou não, é possível mas nunca saberemos, já que até mesmo seu corpo nunca foi encontrado. Simplesmente desapareceu como o Pequeno Príncipe, alter-ego do autor. Em 2004 foram localizados destroços da aeronave, mas não restos humanos. Um romântico mistério que acabou por deixar o livro ainda mais cativante, embora trágico.

Enfim, o romantismo é a Era do autossacrifício e do suicídio, como o do Pequeno Príncipe por “sua rosa”. Não há julgamentos. A depressão e o suicídio podem ser retratados de forma poética, por que não? Mas o conhecimento é necessário para que esses temas não passem desapercebidos pela sociedade. Principalmente, por psicólogos e pedagogos, além da devida e cuidadosa mediação do livro, classificado como infantil, para as crianças.

Afinal, é com o veneno da “serpente“ que o Pequeno Príncipe retorna ao seu Planeta para cuidar da sua flor, com a garantia, para o Piloto, de que sempre que ele olhasse para as estrelas escutaria sua doce risada...

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